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POLÍTICA, PARA QUÊ? – Platão e a política sofocrática | Por Ivan Carlos


Independente da denominação partidário de quem sai ou de quem entra a questão é que sempre queremos melhoras e não retrocessos. Quem se contenta com a estagnação ou com o agravamento da política pública, quer seja por inconsciência política ou por interesse de favorecimento próprio, pode, inescrupulosamente, ser chamado de LOUCO.

POLÍTICA, PARA QUÊ?, por Ivan carlos


Há algum tempo fui convidado pelo Profº Ginvaldo para contribuir com este blog. A sugestão era que escrevesse livremente sobre algum tema que considerasse pertinente para uma formação pessoal e coletiva, dos que, eventualmente, acessam o blog. Sendo assim, penso ser conveniente seguir a própria identidade do mesmo – a dimensão política. Evidentemente, para se falar do contexto político atual, analisando de forma crítica a “política” municipal, estadual e nacional, se faz necessário compreendermos o que é a POLÍTICA? Por que ela existe? De onde vem? Qual a sua forma inicial? Como se configurou da forma que a conhecemos hoje? Por isso, quero propor a você LEITOR, uma série; uma espécie de episódios do processo percorrido pela política até chegarmos ao momento presente. É claro que, só os que realmente se interessam pelo assunto o acompanharão fidedignamente, contudo, prometo àquele que o fizer irá se tornará bem mais crítico, politicamente falando. Mas, a proposta é abrirmos nossa mente, cheia de “PRÉ-CONCEITOS”, formados ao longo da nossa vida, que nos impede de vermos a política como ela realmente é. Você entenderá o que digo já nesse primeiro ensaio.

O termo POLÍTICA, assim como sua prática, remete a tempos remotos. Ele advém da Grécia Antiga e surge concomitantemente à FILOSOFIA, daí a ideia de que quem teria inventado a política seriam os gregos, de modo muito particular, os filósofos gregos. Isso porque o termo se relaciona e/ou deriva de outro termo: PÓLIS, que significa CIDADE. De onde procede a terminologia Cidades-Estados gregas, ou seja, Pólis gregas. Sendo assim, por uma questão lógica, o morador dessa Pólis (Cidade) seria o Politikós (Cidadão). Ora, se todo cidadão é um politikós e esse termo gerou o conceito POLÍTICO, logo, todos nós somos os verdadeiros políticos das cidades onde moramos, não necessariamente e exclusivamente aquele indivíduo dito “privilegiado” que usa um terno e uma gravata e senta num gabinete ou preside algum cargo público. Precisamos dar uma guinada na nossa forma de compreender a prática política, assim como seus resultados na sociedade. Quando dizemos que político são esses indivíduos supracitados e nos isentamos alegando: “eu não gosto de política” ou “eu não me envolvo com política” ou “política é para os corruptos”, nos tornamos, desculpem-me a definição, semelhante a um rebanho de gado que pode e é levado de lá para cá sem ao menos questionar qual o caminho que trilhamos.

Os gregos não somente inventaram a política, como também a DEMOCRACIA – etimologicamente significado como: demós, povo e Kratós, poder ou governo. Portanto, a democracia indica, inevitavelmente, um poder ou governo do povo. E como isso acontecia na Grécia Antiga? Os gregos se reuniam, sempre que necessário, em um lugar propício, que hoje usamos para coisas completamente contrárias, a chamada Ágora, isto é, a Praça Pública. Aí eles discutiam de forma democrática, livre, argumentativa, pública as necessidades da Pólis (Cidade), fazendo assim com que todos os Politikós (Cidadãos) se envolvam diretamente no desenvolvimento social. Este tipo de governo era chamada de Democracia Direta, pois permitia que todos interagissem DIRETAMENTE na política.

Hoje, com as profundas transformações ocorridas ao longo da história – o que veremos a cada capítulo dessa série “Política, para quê?” – a democracia direta passa a ser democracia REPRESENTATIVA, onde escolhemos alguém para nos representar nessa “ágora” que é a política brasileira, hoje restrita a recintos fechados e cada vez mais anti-democráticos, pois pouco podemos participar e quando podemos, ideologicamente encontram um modo de nos ludibriar e podar inconstitucionalmente nosso direito de intervir na política municipal, estadual ou nacional. Como isso de fato acontece discutiremos mais a frente nos próximos capítulos.

A questão levantada nesse primeiro momento é: se somos os politikós (cidadãos), por que perdemos essa identidade e essa prática atualmente? Por que achamos que já exercemos a chamada “cidadania” – ideologicamente trabalhada nas nossas consciências como um direito de todos – ao computarmos nosso voto?  Será que não estamos mais distantes do que nunca do verdadeiro sentido da prática política, com todas as suas adjacências?

No próximo ensaio, retomaremos essa temática e refletiremos sobre as especificidades dos papéis de um cidadão e de um servidor público (político) escolhido pelo povo para administrar em nome seu nome as coisas públicas e fundamentaremos a importância da política inteligente a partir do pensamento do grande filósofo Platão. Não deixe de ler e comentar, pois é na dialética que chegamos a um discurso comum.

Texto de Ivan Carlos Reis de Oliveira

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