Hoje vim deixar o meu
depoimento sobre minha luta com a minha princesa Ágatha Vitória. A
descoberta sobre a minha gravidez me deixou muito surpresa pois quando descobri
já estava com 3 meses de gestação. A cada dia que passava agradecia a Deus por
eu ter um ser dentro de mim, porque ser mãe é algo inexplicável. Os meses iam
passando e eu não via a hora de descobrir o sexo do meu bebe. Até que com 7
meses fiz a ultrassom estavam meu marido e minha mãe na sala. Logo perguntamos
ao médico se era menina ou menino, mas o médico disse que só falaria no final.
Primeiro ele queria olhar o corpinho do bebe pra ver se esta todo perfeito.
Mas o medico demorou muito tempo olhando a cabeça do meu bebe e viu que tinha
uma dilatação do ventrículo(seria água no cérebro) estava com 1,7cm e o normal
é até 1,5cm., logo fiquei desesperada comecei a chorar , mas ele me disse que
não era pra eu me preocupar porque em alguns casos ele regride , mas mandou eu
voltar daqui uns 15 dias. Quando voltei infelizmente já tinha aumentado estava
com 2,12cm, cada vez mais estava crescendo. Então ele pediu para que eu fosse
encaminhada para o Hospital Roberto Santos em Salvador. Tudo aconteceu muito
rápido. Depois que descobri o que minha filha tinha não conseguia dormir mais a
noite. Como fazia o pré -natal no Posto de saúde aqui de Algodões pedi pra
minha enfermeira marcar o médico em Salvador.
A secretaria de Quijingue disse que estava
marcado medico pra mim ,mas era tudo enrolação eles não marcam médico coisa
nenhuma, primeiro que perdi o carro duas vezes porque meu nome não estava na
lista. E quando realmente cheguei ao Hospital em Salvador sem saber de nada o
meu nome não estava lá porque eles não tinha marcado e o médico só atendia nos
dias de quarta-feira, graças a Deus que cheguei na terça-feira, o pior que o
pessoal da secretaria de Quijingue disse que eu tinha que ter algum parente em
salvador fiquei sem entender porque eles não me indicaram a casa de apoio, a
sorte que o motorista que levou a gente disse que nos podíamos ligar sim pra
casa de apoio e se hospedar lá e foi o que fizemos.
No dia 23/10/2013 passei no medico e ele fez a ultrassom disse que o problema
da minha filha era mais grave e que ela não resistira assim que nascesse
portanto eles iriam antecipar meu parto com 38 semanas, mas assim que sai do
medico só aguentei ficar uma semana em casa comecei a sentir várias dores
abdominais, pensava que era normal devido a ultrassom que ele fez, mas também
juntou com o susto de saber que minha filha não sobreviveria. No dia 29/10, fui
pra o Quijingue e fiquei internada, a médica disse que era infecção urinária,
fiquei no soro e fui liberada. Mas as dores não passavam fizeram foi aumentar,
então voltei na quinta- feira 31/10, e mesmo assim continuaram dizendo que era
infecção sem se quer fazer nenhum exame, continuei com dores e internada desde
as 15:00, logo depois o médico me deu buscopan, mas como as dores não passaram
resolveram me dar morfina de 20 em 20 minutos, á noite comecei a vomitar e os
médicos não sabiam o que era, e querendo me levar pra Antas, só que como sabia
que minha gravidez era de risco pedi pra que me levassem pra Salvador, pois só
poderia ter ela lá, depois de muito sacrifício e com minha mãe fazendo um
escândalo a secretária Naibe arrumou um carro pra ir, mas o carro não dava pra
levar eu e minha mãe, e mesmo assim as dores que eu sentia eu tinha que ir
deitada, em uma ambulância, só que a ambulância já estava ocupada, então quando
minha mãe perdeu a cabeça e falou um monte, tomaram as devidas providências,
pois se não fosse o escândalo não estaria aqui relatando pra vocês, por que no
Quijingue se ninguém abrir a boca morre lá mesmo.
Só que os problemas foram aumentando a ambulância não tinha óleo e a porta era
amarrada com um lençol e outra a enfermeira queria ir na frente com o motorista
acreditam?
Chegando em Feira de Santana a ambulância começou a sair fumaça e ficamos em
desespero, mas Graças á DEUS conseguimos chegar em Salvador com essa ambulância
caindo aos pedaços. Na sexta feira ganhei minha princesa depois de muito
sofrimento, porém ela não resistiu, e ficou somente 10 minutos com vida.

Quero relatar que se continuar assim irá morrer mais gente, e com essa
ambulância precária muitos acidentes estão por vim, então peço ao senhor
prefeito que tome as devidas providências e que minha história não vire só mais
uma e sim de exemplo de porcaria de saúde em Quijingue.
Priscila Santos Via Facebook