“Qujingue ainda não passou da fase de engatinhar como um município
verdadeiramente emancipado, tamanha tem sido a subserviência a que os seus
representantes. (...) Nas últimas décadas temos observado no povo uma certa
vontade de se livrar dos grilhões do esquecimento a que sempre estiveram amarrados.
(...) O descontentamento do povo produziu efeitos práticos com a eleição, há um
ano. (...) O novo grupo que se inaugurou no poder municipal era o novo
depositário das esperanças do povo, e a este grupo incumbe à responsabilidade
de traduzir em fatos os ideais que tanto defendiam. (...) Sabemos, contudo, e o
próprio povo tem essa consciência, que não se promove uma mudança num piscar de
olhos (...), mas não podemos fechar os olhos aos contrassensos que vêm
ocorrendo em diversos setores do novo governo, (...) com práticas que parecem
copiadas e xerografadas doutras que tanto combateram.
Sabemos que, no governo, há pessoas que comungam do que aqui expressamos, e
clamamos pela intervenção dessas pessoas com vistas a frear o que de ruim vem
ocorrendo e a acelerar o que de bom existe e pode se multiplicar. (...) Vamos
lá! Ainda é tempo e sempre será tempo para as boas práticas verdadeiramente
políticas!”. LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA.
Quijingue parece, na sua
caminhada (que mais tem parecido uma via-crúcis), fazer jus ao significado do
nome que carrega. Mas, ao invés de se comportar como caatinga fechada, está a
se comportar como cidade abandonada, esquecida, depauperada, isolada, ou
quaisquer outros adjetivos que os valham.
É inaceitável, e não é de hoje
que bradamos desta situação, que um município de quase trinta mil habitantes
seja relegado ao ostracismo, ao ponto de ser tratado como um nada no mapa, na
geografia e nas estatísticas.
O município de Quijingue, como
um todo, em que pese os muitos avanços tecnológicos que o mundo tem experimentado,
inclusive Quijingue próprio, continua a ser um lugar remoto, que tem mais
servido de chacotas de mau gosto externadas por mentecaptos de outros chãos, do
que de exemplo para um caminhar sereno e são rumo ao verdadeiro
desenvolvimento. Mas o desenvolvimento a que nos reportamos não é o puramente
de emprego e renda ou de iniciativas isoladas de pessoas ou grupos econômicos
concentradores de rendas e oportunidades. O desenvolvimento que defendemos é
aquele que contemple todas as virtudes e potenciais edificadores de uma
coletividade. Clamamos por mais fraternidade, por mais solidariedade, por mais
esforços mútuos que visem a alcançar benefícios que a todos aproveitem.
E há várias opções no lugar
que podem servir de ponto de partida com vistas a estabelecer no município uma
nova ordem, com o despertar de uma vocação que parece querer dormir, a vocação
de trabalhar por um presente mais digno e por um futuro mais seguro para
aqueles que nos substituirão. Afinal, as novas gerações e as que delas
provierem necessitarão deste porto seguro que deve plantado imediatamente.
Com todo o respeito às
opiniões que possam se insurgir em sentido oposto, somos do ponto de vista que
Qujingue ainda não passou da fase de engatinhar como um município
verdadeiramente emancipado, tamanha tem sido a subserviência a que os seus
representantes, nos seus quase cinquenta e dois anos de carta de alforria,
tem-se submetido, como se os louros do conhecimento também não contemplassem os
nativos e os viventes deste tão bonito lugar.
Nas últimas décadas temos
observado no povo uma certa vontade de se livrar dos grilhões do esquecimento a
que sempre estiveram amarrados, mas o surgimento de uma verdadeira liderança
que incendiasse os anseios contidos tem demorado a surgir, justamente, talvez,
pela falta de um dos predicados sociais mais relevantes: o acesso pleno e
irrestrito ao conhecimento, que tornaria, sem dúvida, o cidadão mais consciente
e dotado de visão que não somente a dos olhos ou de um empirismo há muito
ultrapassado.
É necessário somar-se as
virtudes da visão física e dos experimentos intuitivos bem sucedidos com as
virtudes de muita coisa que se aprende e se aprimora nas salas de aulas.
O descontentamento do povo
produziu efeitos práticos com a eleição, há um ano, de uma segunda corrente
política local, quebrando um tabu de que “nunca antes na história” do município
a situação deixara de fazer sucessor.
Obviamente, o novo grupo que
se inaugurou no poder municipal era o novo depositário das esperanças do povo,
e a este grupo incumbe a responsabilidade de traduzir em fatos os ideais que
tanto defendiam.
Sabemos, contudo, e o próprio
povo tem essa consciência, que não se promove uma mudança num piscar de olhos,
e temos visto estas dificuldade enfrentada pelo novo alcaide e sua equipe, mas
não podemos fechar os olhos aos contrassensos que vêm ocorrendo em diversos
setores do novo governo, revelando-se, por vezes, diametralmente antagônico com
tudo àquilo que sempre defendeu, com práticas que parecem copiadas e
xerografadas doutras que tanto combateram.
Não estamos, com isso, a não
reconhecer que ações positivas tenham ocorrido no novo governo, como a
reformulação predial de parte do CEAQ, buscas de recursos para muitas áreas e
setores deficientes e esquecidos pelas gestões precedentes. Notamos sim esforço em pessoas coerentes que
compõem o governo, mas isso não nos tira a capacidade de enxergarmos erros e
atitudes nefastas que insistem em se repetirem.
No que tange ao principal
objeto do assunto a que nos propusemos tratar, solicitamos que o Poder Público
Municipal se imponha perante as autoridades estaduais, exigindo respeito por
essa massa humana de quase trinta mil pessoas, e que promova, de imediato, a
recuperação da BA-381, mas não uma recuperação paliativa de duração de efeitos
efêmeros, mas que se vise a, de fato, fazer a estrada nos estritos termos que o
nome “rodovia” faz jus, pois, a mencionada estrada, do modo como tem sido
entregue durante todos esses anos, jamais mostrou a cara de “rodovia”, e sim de
uma estrada vicinal, dessas que ligam povoados e distritos, com vistas ao escoamento
de safras e deslocamentos de pessoas.
Esse modelo de estrada, como
nos tem sido entregue, seria a ideal para ligar Qujijingue (Sede) à Lagoa do
Junco, Algodões a Maceté, Lagoinha das Pedras à Boa Vista, dentre tantas outras
possibilidades, pois, menor o fluxo de veículos nesses imaginados caminhos.
E essa postura já era esperada
por todo o povo desde o princípio, inclusive com a extensão da via ao município
de Cansanção, de modo a completar o único trecho que ainda não foi feito
conforme determina o projeto inicial, que, aliás, está beirando os quarenta
anos.
De Quijingue não ser lembrado
por estranhos, até que compreendemos, mas o que mais temos visto é o seu esquecimento
pelos seus próprios filhos.
A referida estrada é, como já
dissemos noutra oportunidade, uma ‘pseudo-rodovia’, cuja estrutura e cuidados,
como sinalizações de solo, rota de fuga e acostamentos e placas sinalizadoras,
se impõe, sob pena de continuarmos a ler notícias de mortes precoces, como as
inúmeras que ocorreram nas últimas décadas.
Já experimentaram fazer uma
estatística de quantas vidas foram ceifadas nessa perigosa via?
Temos certeza que os
resultados serão estarrecedores!
E a ponte sobre o Rio
Quijingue? Também já não dá mais para engolir, em pleno século XXI, uma ponte
tão estreita e insegura. Saibam que a aludida ponte é proveniente de um projeto
nascido no século XIX e levada a efeito como construção na oitava década do século
XX, e, mesmo com mais de oitenta anos de atraso, ainda inaugurada sob o regalo
de pompas e circunstâncias, com presenças de deputados e estadual e federal da
época (Jairo Azi e Rui Bacellar). A velha ponte, nem precisa dizer, mas já se
mostra superada desde sua construção, e denota que, tanto os políticos de fora como
os de dentro, sempre levaram Quijingue na brincadeira, fazendo de bobos e
bestas as pessoas do lugar, e ainda ganhando destes aplausos e defesas
inflamadas.
Diga-se o mesmo da ponte que
liga a estrada de Algodões ao Maceté! Quando, de fato, esta ponte
será entregue à população? Quais têm sido as dificuldades para fazê-la? Se há
dificuldades, a população precisar ficar a par da situação!
Não! Não é para isso que
elegemos representantes! As suas reponsabilidades e compromissos vão para muito
além de palavras externadas pelo diafragma sem que passem pelo coração! As
falsas retóricas caem por terra facilmente, e é a isso que clamamos a todos
combater!
Tínhamos, de fato, a esperança
(quase certeza) de que o novo governo municipal teria esta como uma das medidas
primordiais, considerando, especialmente, um alinhamento político e ideológico
com o governo do estado, de onde esperávamos uma parceria ágil, brilhante,
produtiva e eficiente. Mas o resultado esperado, neste particular, tem-se
redundado em decepção.
Sabedores, porém, das
dificuldades iniciais enfrentadas, queremos crer que essas medidas ainda virão.
Mas que venham logo! Sob pena de a inoperância se transformar no grande
combustível para o retorno das velhas forças políticas que nada fizeram pelo
lugar nos cinquenta anos anteriores, e, que fique claro, não desejamos o
retorno, justamente por terem jogado fora as oportunidades que tiveram!
Sabemos que, no governo, há
pessoas que comungam do que aqui expressamos, e clamamos pela intervenção
dessas pessoas com vistas a frear o que de ruim vem ocorrendo e a acelerar o
que de bom existe e pode se multiplicar.
As mesmas razões apontadas
pelo estabelecimento de uma rodovia digna valem pelo estabelecimento de um
Fórum na Sede do Município, especialmente pela população numerosa e por sua
extensão territorial.
Vamos lá! Ainda é tempo e
sempre será tempo para as boas práticas verdadeiramente políticas!
Um grande abraço aos
conterrâneos e Saudações Quijinguenses e Sertanejas a todos!





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