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O ESTRATEGISTA E EMPREENDEDOR | Por Betinho

A pegada do nosso comentário de hoje é a lembrança do expoente líder político e empreendedor Felisberto Jose da Silva. completados 06 (seis) anos de sua morte, que faleceu no dia 05 de fevereiro de 2008, entristeceu e ainda entristece a cidade de Quijingue, já tão sofrida nos últimos tempos - Símbolo marcante de um período de luta pelos mais pobre e de uma passagem política espetacular, sendo considerado um dos mais brilhantes políticos que esta terra já viu. Com as devidas vênias a outros políticos que também merecem todo o nosso apreço e consideração.

Nascido na Fazenda Terra Branca há 03 (três) Km da então vila de Triunfo, no dia 20 de agosto de 1917, Filho de Hermógenes José da Silva (carpinteiro) e de D. Cristina Almeida da Silva. Casou-se em 1948 com D. Alexandrina Brito Silva (a santa de Quijingue).

Lembranças me vêm a mente e eu me dou conta do legado notável que deixou na área social como prefeito - e isto explica, em grande medida, por que ele é idolatrado por Quijinguenses que hoje se sente relegados, principalmente os mais indefesos. Isso explica, também, o choro verdadeiro dos pobres, temerosos de que deixem de ser, nesse governo, uma massa digna de ser ouvida e respeitada.

Com humor autodepreciativo que era peculiar, Felisberto costumava contar um episódio real de sua vida que ajuda a explicar a sua luta e honestidade que ficou conhecida em toda região e por todos que com ele transacionaram. A morte prematura de seu pai “Hermógenes José da Silva” abalou toda a família, principalmente ao Sr. Felisberto, que era muito apegado ao pai e ainda era um adolescente e contava apenas com 17 anos – Teve como primeiro compromisso e responsabilidade deixado pelo seu genitor; como ele mesmo me confidenciou: “Meu pai me chamou e entregou-me um saco de pano contendo várias notas de dinheiro que estava debaixo da cama onde dormia e, falou que estava devendo a uma certa pessoa e que logo depois da morte (do pai) eu deveria ir procurar o rapaz e pagar o que estava devendo”. E continuou com os olhos lacrimejando: “Ali foi a primeira responsabilidade que me foi atribuída e eu fiz como meu pai me ordenou. Fui lá e paguei!”.

Depois desse episodio trágico e da crise que abalou a região e principalmente a sua família - e do clima de incerteza que assolava a sua mente, orgulhava-se de ter avançado por etapas. Para ele, ter comprado farinha no estado de Sergipe para revender na feira livre de Quijingue; de ter vendido ovos no Bairro do comércio em Salvador; de ter vendido “porco” salgado na cidade de Jacobina; e de ter sido o maior exportador de sisal para áfrica do Sul da região de canudos, foi o primeiro degrau de uma trajetória que não trouxe apenas conhecimento sobre o processo produtivo, mas a chance de ser respeitado por todos aqueles com que transacionava.Tornou-se, assim, um dos mais brilhantes comerciantes da região.

As expectativas sobre o papel que viria a desempenhar para ajudar os mais necessitados, passou a se interessar por política e, visando melhorias para a vila pertencente ao Município de Tucano, ingressou oficialmente na vida pública, fazendo parte da primeira administração do novo município como Vereador.

Depois eleito pela primeira vez ao cargo de prefeito de Quijingue (1967 a 1971) e aos céticos, que acreditavam resultar em decepção a administração, isso não ocorreu. Felisberto era um revolucionário e com trabalho feito junto a Cidade, o seu carisma cresceu. Voltando a administrar o município por mais 03 (três) mandatos (1973 a 1977/1983 a 1989/1992 a 1996).


Acertando a mão nas ações sociais e investimentos em infraestrutura, até os críticos mais severos reconheceram a eficiência de sua política de combate às desigualdades sociais. Voltando os olhos para os marginalizados, tendo sido muito provavelmente o primeiro líder a centrar seu governo na defesa dos excluídos.

Antes mesmo do advento da Constituição Federal de 1988, já assegurava o exercício dos direitos sociais e individuais, à liberdade e à igualdade e o trato com a coisa pública. Tanto foi assim que na inauguração da prefeitura Municipal em 1988 (construída com recursos próprios do município), foi aclamado em praça pública pelo povo e paparicado pelo então todo poderoso Ministro das Comunicações Antonio Carlos Magalhães que assim discursou: “Felisberto... vou levar você para Salvador para ensinar Waldir Pires a governar...”

Do embate entre o possível e a quimera, criaram-se paradoxos. Como uma obra tão bela quanto a prefeitura Municipal de Quijingue, que viraram marca incontornável e com beleza indescritível dos traços, como pode ser tão maltratada?

Não só os pobres têm motivos para prantear Felisberto. Até os críticos mais severos e os adversários de outrora reconhecem seu esforço junto à comunidade para assegurar uma vida melhor e digna para a população. Na verdade ele governava para todos, com único e último objetivo política de combate às desigualdades sociais.

Felisberto é aquele em que a originalidade superou a teoria e os dogmas da política, permitindo a ele atingir o patamar da perfeição, com obras de infraestruturas que vão ficar para sempre (se o gestor atual não mandar destruir!). Política que fez sentir e fez pensar; que deixa uns perplexos e outros embriagados de prazer de ter convivido com ele, de tê-lo conhecido, que emite sons e silêncios profundos; política que produz no observador ansiedade, temor e hostilidade.

Felisberto está longe de ser unanimidade na política, mas como autor de sua biografia, não deixa ninguém indiferente. Felisberto foi brindado em vida por aquelas dádivas que muitos gênios só adquirem depois da morte.

Felisberto! Eu, ainda não aprendi a lhe dizer “Adeus”!

7 comentários:

  1. O que se observe é que, naquele tempo, onde os recursos eram mais escassos, se fazia muito mais, se formos comparar com o os recursos financeiros que se tem hoje. Observe a infraestrutura mais antiga da cidade e povoados. Hoje, um prefeito não coloca uma pedra de calçamento se não for mediante convênio. Sabe por que isso? Hoje temos campanhas milionárias, vidas luxuosas, consumimos, Caixa 2 etc.

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    1. Exatamente. Só analisarmos a estrutura de campanha e até mesmo as fotografias dos candidatos hoje em dia. E o Caixa 2 é o principal

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  2. Verdade . Foi um grande homem e as suas virtudes no campo da politica ainda serve de exemplos até hoje em estrategias de reconciliação e direçao de grupos.

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  3. Época que não tinham muitos recursos, mas tambem não tinham tantos engessamentos como as leis de responsabilidade. Era mais facil remanejar recursos ou aplica-los como bem se queria.
    Mas foi um grande homem, que não deixou herdeiros políticos.

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  4. Grande líder, grande homem!

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