O uso do dinheiro
público para cooptar colaboradores não é novidade na Bahia. O governo Wagner
adota a mesma técnica do carlismo e usa os mesmos métodos que antes criticava.
A publicidade oficial é a alma do negócio para blogs e sites
‘chapa-branca’ na Bahia. Não importa a audiência e tampouco a credibilidade do
veículo, basta fazer o jogo do governo estadual e cair nas graças da Agecom — a
agência de comunicação do governo Wagner — para ser aquinhoado com anúncios a
preços superfaturados como nunca se viu no Estado.
A subserviência ao governo é um negócio muito
rentável para a mídia amestrada que povoa a internet na Bahia. Prova disso é
que termina o ano apresentando faturamento obeso em relação à audiência que
realmente tem, baseado numa tabela de preço que faria inveja aos maiores
portais de internet do país.
Os leitores, por sua vez, consomem conteúdo viciado, preparado de acordo
com a receita oficial e publicado sem questionamento pelos veículos, que não
apuram a veracidade das informações apresentadas pelo governo.
Para blogs e sites ‘chapa-branca’, a publicidade ‘cala-boca’ é um
negócio da China. A Agecom não obedece aos preços de mercado nem usa o critério
do custo por mil visualizações para calcular o valor a ser pago — como fazem as
agências de publicidade das empresas que prestam contas a seus acionistas.
Em vez de exigir que um anúncio seja exibido determinado número de
vezes, por um valor especificado, como é praxe no mercado, o Governo do Estado
prefere um método pouco ortodoxo: faz o pagamento por campanha e o preço,
sempre salgado, varia de acordo com o compadrio ou o potencial ofensivo do
blogueiro premiado com as verbas governamentais.
É um negócio de pai para filho, que não é auditado e sequer licitado. Um
autêntico ‘toma lá, dá cá’ em que o dinheiro público escorre pelo ralo sem
controle e sem fiscalização. Neste mercado paralelo, blogs e sites
‘chapa-branca’ vendem ao Estado ouro 18 e entregam ‘ouro de tolo’, com a
evidente cumplicidade da direção da Agecom.
“Se você dividir o valor que o Estado paga a cada um desses sites e
blogs pelo número de vezes que cada anúncio é visualizado, descobrirá que o
custo por mil é estratosférico”, diz um experiente especialista do mercado.
O assunto é um verdadeiro fio desencapado com
milhões de volts circulando sem controle.
Método carlista –
O uso do dinheiro público para cooptar colaboradores não é novidade na Bahia. O
governo Wagner adota a mesma técnica do carlismo e usa os mesmos métodos que
antes criticava. Dessa forma, não teve muita dificuldade para ‘azeitar’ a mídia
online ligada aos meios políticos, fazendo-a trabalhar a seu favor.
O tilintar das moedas petistas operaram milagres. Personagens que se
beneficiaram durante os governos carlistas descobriram que o governo do PT
também tem seus atrativos. É a velha tática de uma mão lavar a outra.
Nos últimos quatro anos sites e blogs surgiram do nada e engordaram a
olhos vistos às custas da publicidade oficial, a ponto de manterem estruturas
de funcionamento cuja manutenção não seria possível com a venda de espaços
publicitários para o mercado em geral.
Além do Governo do Estado, muitas prefeituras e o Poder Legislativo
anabolizam com dinheiro público os caixas dos blogs e sites dos chamados
“barões da internet baiana”.
O blog campeão em faturamento é o Bahia Notícias, do
colunista político Samuel Celestino. Para veicular cada campanha publicitária
no blog o Estado paga R$ 40 mil. Com frequência, há três, quatro e até cinco
campanhas do governo estadual rodando simultaneamente. O Bahia Já,
de Tasso Franco, ex-secretário de Comunicação do carlista Antonio Imbassahy na
Prefeitura de Salvador, e o Política Livre, do colunista Raul
Monteiro, também recebem publicidade oficial.
O ex-vereador Wanete Carvalho tem dois sites patrocinados pelo governo.
Até Dimas Roque, um desconhecido empresário do setor de eventos, mantém em
Paulo Afonso um blog e o siteNotícias do Sertão com recursos
estaduais. No total são mais de meia centena de sites e blogs sustentados com
dinheiro público na Bahia.
O blogueiro João Andrade Neto, do Pura Política, que acabou
preso pela polícia, também era fortemente patrocinado pelo Estado.
O mais grave é que a Agecom é cúmplice da operação porque tem interesse
na publicação, sem questionamentos, de notícias e factóides favoráveis ao
governo e, ao mesmo tempo, usa o ‘capilé’ oficial para vacinar o sistema contra
a publicação de assuntos comprometedores.
Se o assessor-geral de Comunicação do Estado, o engenheiro eletricista
Robinson Almeida, tivesse interesse em controlar a aplicação da verba
publicitária na internet com transparência, a primeira ação quando o governo
decidiu veicular propaganda na mídia online seria manter na Agecom um servidor
de anúncios.
Trata-se de um sistema utilizado por agências de propaganda para fazer o
controle do tráfego de peças publicitárias na web através da inserção de um
código nas páginas dos sites onde os anúncios serão apresentados. A agência só
paga o número de visualizações que foi contratado. Mas para o Governo do Estado
isso é o que menos importa.
O Tribunal da Contas do Estado vai ter muitas surpresas se resolver
investigar a aplicação da verba publicitária do governo Wagner. Isto é, se
investigar, é claro. Se fizerem uma análise cuidadosa, inclusive verificando os
custos de produção, os conselheiros poderão tomar um choque com o que
encontrar. O assunto é um verdadeiro fio desencapado com milhões de volts
circulando sem controle.
Dá mesmo para acreditar que o TCE vai fiscalizar como o Governo Wagner
gasta o dinheiro público com propaganda?
Autor: Antonio Raimundo da Silveira no Jornal da mídia.com




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